O sertão pelas mãos de Marilene Brito

Exposição: O sertão pelas mãos de Marilene Brito

A singularidade da cultura nordestina é inspiração para Marilene Brito, que busca, através das suas bonecas de panos e esculturas feitas com papel, apresentar os modos de vida das pessoas do campo, como o trabalho, festas e práticas religiosas.

Nascida em 9 de maio de 1958, na fazenda Sítio da Pedra, Distrito de Ipuaçu, município de Feira de Santana. Marilene desenvolveu suas técnicas artísticas ainda criança, com base nos trabalhos que o pai fazia com madeira, corda e cipó. Alfabetizada aos doze anos de idade e formada no magistério, dedicou-se na alfabetização de jovens e adultos, e considera que “umas das maiores riquezas do ser humano é saber ler e escrever”.

A falta de recursos e o desejo de brincar deram inspiração para Marilene criar suas primeiras bonecas de pano, confeccionadas com sobras de materiais como goma de mandioca, grãos, papel, retalhos de tecidos, embalagens plásticas, entre outros.

Marilene considera que suas bonecas são terapêuticas e ecológicas, pois são criadas com armação de arame, tornando-as flexíveis, sendo úteis no tratamento de problemas nas articulações. Além disso, a artesã reutiliza sacos plásticos, que são coletados na comunidade, limpos e secos antes de ser usado no enchimento do corpo das bonecas. Vestidas com roupas coloridas, feitas com retalhos de tecidos, descartados da indústria têxtil, as bonecas de Marilene busca homenagear a mulher do campo.

Marilene Brito também retrata nas esculturas com papel trançado e a técnica do papel machê, os desencantos do homem do campo, a problemática da seca e os retirantes expulsos pela estiagem prolongada. Mas, também contempla a fé, a história e a riqueza cultural, como danças de quadrilha e forró, além de destacar os mitos e lendas que compõem o cenário da cultura popular brasileira, como o Saci Pererê e a Mãe-D'água, Sereia Iara.

O reaproveitamento de materiais demonstra a consciência ambientalista da artesã, evidenciando assim, a sua luta pela preservação do patrimônio ambiental.

A artesã expôs seu trabalho em diversos museus e feiras de artesanato. Recebeu uma premiação especial no 23º Salão Regional de Artes Plásticas na Categoria Arte Popular, em 1993. Em março de 2007, recebeu o Troféu Zeferina em Salvador, o qual tem o objetivo de valorizar mulheres negras e indígenas que se destacam na luta pela melhoria de suas comunidades.

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Escultura com 15 centímetros de altura, confeccionada com papel trançado e técnica de papel machê. A composição que representa a bata do feijão, mostra três figuras humanas, defronte a arbustos, sendo duas masculinas que impõem bastões e uma feminina portando uma peneira.

A cena retrata uma das mais ricas manifestações populares nordestinas, que é a ritualística comemoração em torno da colheita e separação artesanal dos grãos de feijão. Na prática, homens e mulheres do campo entoam cânticos ao tempo que com os bastões separam dos arbustos o feijão. Na etapa final, as mulheres utilizam peneiras para biatagem, que é a separação de cascas e o pó das sementes.

Nesta obra, Marilene apresenta a festa e o trabalho ritmado como uma dança que os homens do campo realizam após a tão esperada colheita. É uma forma de agradecer a nova safra e manter viva a força e a beleza da cultura sertaneja.